segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Mente pura


"Dentro de nossa mente impura, a pura é encontrada."
Hui Neng

sábado, 5 de dezembro de 2009

Publicação buddhista do CBB


TRIRATNA, REVISTA BUDDHISTA

É um prazer anunciar o lançamento da Revista Triratna do Colegiado Buddhista Brasileiro, uma revista online que almeja trazer artigos e depoimentos de professores buddhistas brasileiros e/ou conectados com o Brasil, com temas atuais e informativos. O Colegiado Buddhista Brasileiro é uma entidade sem fins lucrativos criada com o objetivo maior de contribuir para a difusão, sustentação e correta orientação dos ensinos de Buddha. Com a Revista Triratna, uma nova frente se abre para a divulgação do Dharma (pali, Dhamma) em língua portuguesa. Seu número 1 pode já ser acessado aqui. Leiam e divulguem! (Texto copiado do blog Folhas no Caminho)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Koyaanisqatsi - Life Out Balance



Koyaanisqatsi (1983) é o primeiro filme da trilogia “QATSI” que representa um dos mais originais e empolgantes momentos da História do Cinema. Concebidos ao longo de 20 anos e produzidos por cineastas de renome como Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Soderbergh, estes três filmes vanguardistas e não-narrativos (sem diálogos), refletem sobre a condição do homem no mundo moderno. A música de Philip Glass alia-se às imagens de forma perfeita e o resultado é simplesmente uma das mais enriquecedoras experiências audiovisuais que já pude assistir. Este foi o único filme que tive a oportunidade de assistir até agora que mostra como o mundo foi evoluindo rumo ao que conhecemos hoje como "contemporaneidade", ou como modernidade, para os que preferirem. Quando mostra ao que chegamos, o ritmo frenético das grandes metrópoles, seria impossível não refletir sobre tudo que aí está e a ordem que acabamos por naturalizar na vivência ofegante de nossas rotinas.

SINOPSE
A sensação de que a vida moderna e civilizada cada vez mais contribui para afastar o ser humano do seu rumo interior levou o estudioso do zen-budismo e cineasta Godfrey Reggio a filmar durante sete anos, estados da vida que, imperceptíveis à cegueira tecnológica do ser humano, tentam explicar por que nossas vidas estão ‘fora do rumo’. Sem roteiro e com orçamento limitado, a ideia de fazer um documentário que expusesse os problemas modernos só com música e imagem, atraiu o apoio de cineastas de peso como Coppola e George Lucas, o que garantiu a qualidade das imagens e maior fidelidade às ideias originais. Não há diálogos nem narrativa durante o filme, recursos deliberados para chamar nossa atenção para coisas que vemos todos os dias, mas sem que as enxerguemos em seu significado mais profundo.




O objetivo da trilogia, numa maneira limitada, foi mostrar um espelho da vida assim como ela é, numa via muito rápida.” (Godfrey Reggio, diretor, sobre a trilogia).

domingo, 29 de novembro de 2009

Sobre o Tempo e o Agora


"O ser humano não percebe que não se precisa de tempo na vida, porque a vida realmente acontece no momento presente. É equivocada a nossa noção, reforçada pelas religiões e pelos teóricos evolucionistas, de que precisamos de tempo para evoluir e completarmo-nos, para mudar do’ que é' para 'o que deveria ser'. O tempo é certamente necessário no campo do aprendizado, para atingir metas e para ganhar a vida e por tornarmo-nos peritos em alguma profissão. Mas no mundo da psique, seguimos o velho padrão tradicional, e nos tornamos frustrados e miseráveis quando a esperança da plenitude não é alcançada. Tornamos-nos acostumados ao condicionamento de que precisamos de tempo para evoluir para algo diferente do que já somos. No entanto, uma pessoa que se baseie no tempo horizontal como um meio de alcançar a felicidade ou de realizar a Verdade está enganando a si mesma. Não há entendimento no tempo: é agora ou nunca. O que há, é agora. Não existe o "nunca". Ver "o que é" é sempre imediato. A Verdade está além da razão e do cálculo. O observador só pode ser no passado ou no futuro. A natureza e futilidade do tempo horizontal é vista quando o ver é no agora sem "aquele que vê".

Ramesh Balsekar: "The One in the Mirror"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

INTERSENDO


Arranje um cantinho sossegado e uma almofada gostosa. Acenda um incenso.

Sente-se com as costas bem eretas.

Coloque as mãos sobre os joelhos, com as palmas para cima e balance o corpo lentamente da esquerda para a direita, de movimentos maiores a movimentos menores, como um pêndulo, até encontrar o centro de equilíbrio do corpo.

Pare aí.

Inspire profundamente e solte o ar lenta e completamente pela boca.

Relaxe os ombros.

Inspire novamente e solte o ar pela boca. Então cerre os lábios, coloque a ponta da língua no céu da boca e respire pelas narinas.

Mantenha os olhos entreabertos, apenas pousados a sua frente.
Ouça todos os sons.

Sinta todas as fragrâncias.

Perceba o ar, a temperatura em sua pele.

Você está pensando? Ou não está pensando?

Verifique sua postura. Costas eretas. Cabeça como se um fio puxasse para o céu. Pernas firmes pela força da gravidade.

Não julgue. Nem certo nem errado, nem bonito nem feio.

Seja. Apenas sente.

Intersendo com tudo que existe.

Que bom estar vivo.

Este instante aqui e agora é o céu e a terra.

Isso é tudo. Tudo é nada.

Monja Coen

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Largar o ponto de apoio


O mestre Zen Hakuin (1689-1769) descreve o último estágio de um Koan:

“Quando o discípulo compreende o Koan, percebe que atingiu o limite de sua tensão mental e é levado a uma pausa”. Assim como um homem pendurado sobre um precipício, ele não sabe absolutamente o que fazer a seguir... Súbito, constata que sua mente e seu corpo foram varridos da existência, junto com o Koan. Isto é conhecido como ‘largar o ponto de apoio’.

Quando despertares do entorpecimento e reconquistares a respiração, é como beber água e saber que ela está fria. Sentirás uma alegria inexprimível.”

Assim, quando o discípulo chega ao ponto final em que absolutamente não pode captar o Koan, chega também à compreensão de que a vida nunca poderá ser entendia em sua essência nem possuída ou paralisada à força. Portanto, ele “se solta”, e esse desprendimento é a aceitação da vida tal como ela é, como algo que não pode ser propriedade de ninguém, que é sempre livre, espontâneo e ilimitado.

domingo, 22 de novembro de 2009

De um estado mental para outro


Estamos sempre tentando levar nossa vida da infelicidade para a felicidade. Ou, poderíamos dizer, desejamos nos mudar de uma vida de lutas para uma vida de alegria. Mas essas coisas não são as mesmas: sair da infelicidade para a felicidade não é o mesmo que sair da luta para a alegria. Algumas terapias buscam levar-nos de um eu infeliz para um eu feliz. A prática zen, porém, (e, talvez, algumas outras disciplinas e terapias) podem ajudar-nos a sair do eu infeliz para o 'não-eu', que é a alegria.

Charlotte Joko Beck
Sempre Zen.

Running Away



Matisyahu é um artista/Reggae judeu azídico de hip-hop. Não sou um grande fã de reggae, mas confesso que o ritmo me parece reconfortante e inspirador. As letras de reggae são frequentemente sobre justiça social, paz, amor, espiritualidade e harmonia. E algumas trazem uma espécie de ‘satori musical’. A música tem uma força poderosa em minha vida e que muitas vezes age como um guia ao longo do caminho do meio entre "alguma coisa e nada”. Esta versão de um clássico de Bob, é entoada aqui com certo ‘lirismo’, como se fosse uma espécie de koan:

"Todo homem acha que seu fardo é mais pesado".

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Mais um passo


Há um famoso ditado: "Suba no topo de um mastro de 30 metros, então, dê mais um passo". Qualquer um pode subir num mastro de 30 metros e chegar ao topo. Mas, como alguém pode dar um passo além do topo? Essa é a parte mais intrigante e também a mais importante. Após ter alcançado o topo, não se deveria ficar apegado a ele; não se deveria permanecer lá. Tornamo-nos apegados a idéias e conceitos elevados. Ao invés disso, volte para o chão e viva a vida como sempre. "Mais um passo" não significa um passo para cima, mas um passo para baixo. Venha para baixo e viva a vida iluminada em meio às dificuldades humanas.

Quando subimos num mastro de trinta metros, devemos ser cuidadosos. Sim, podemos fazê-lo por nossos próprios esforços - disciplinando-nos física e mentalmente. Muitas pessoas permanecem no alto, dizendo: "Eu fiz. Consegui!" Mas, a coisa importante é voltar para baixo, para o chão. "Chão" significa nossa vida diária: trabalhar, limpar, cozinhar, cumprir as tarefas. Quando assim compreendemos, então, fazemos tudo isso em nossas vidas diárias - mas não mais como vítimas! Não mais vivemos de um modo casual. Sem apego ao ego, a vida é vivida em seu apogeu. Esquecemos a nós mesmos e colocamos nossas vidas naquilo que estamos fazendo, o que quer que seja. O eu natural flui. Este é o passo além.

Extraído do livro "O Centro Dentro de Nós - O Budismo na Vida Diária" - Sensei Gyomay Kubose (tradução de Ricardo Sasaki).

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Zen na Cozinha


A cozinha atemporal dos monges

Comer como um abade é coisa dita no Ocidente, quando nos refestelamos na boa mesa. Já comer como um monge, não como dito, mas como prática, parece universal. A cozinha dos mosteiros budistas, que aparece no livro da monja Gyoku En, mostra muita austeridade e rigor - uma comida mais preocupada com a educação e aperfeiçoamento do espírito que com delícias para o corpo, em nada distante do monasticismo de origem européia.

Mesmo com toda essa ascese, o comentário sobre o livro cabe num suplemento de gastronomia, pois o "caminho" dos sabores é capaz de aumentar o gosto por comer, pedindo atenção aos aspectos mais negligenciados no nosso labirinto alimentar cotidiano. Não é exagero dizer que a culinária shôjin é uma espécie de slow food ao pé da letra.

Uma frase como "o coração da culinária shôjin é a maneira de cozinhar e a apresentação dos pratos, simples, mas refinados" tirada do livro, ficaria perfeitamente adequada na boca de um luminar da nouvelle cuisine. Ou mesmo na de um cultor dos produtos e do respeito aos sabores originais da natureza, como alguns chefs atuais como Pascal Barbot, Alain Passard ou Andoni Luis Aduriz. Nenhum destes estaria desconfortável no papel de cozinheiro zen, prática codificada em 1237 no Tenzô Kyokun (Instruções ao Cozinheiro Zen) do monge Dogen. Ali está toda a base de formação dos futuros chefs budistas, se é que cabe chamá-los assim. São regras abrangentes tão bem codificadas que o monge-cozinheiro tem a tarefa pela vida toda, em estado de aprendizado constante.

Mas a monja, nascida em Minas Gerais, educada no Mosteiro de Morro da Vargem e radicada em Brasília, faz uma cozinha que se poderia chamar de fusion. Passa pelos caldos, sopas, diversas maneiras de preparar o arroz e tempuras, mas chega a receitas tão ecléticas quanto um sushi com cará. Ou uma salada de nabo com caqui maduro que parece coisa da cozinha novíssima.

O Zen Na Cozinha - Princípios da Culinária Shôjin - Monja Gyoku En (Ed. CLA Cultural)